sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Memórias Póstumas de uma Bicicleta

Vão me deixar, como podem cuspir revoluções palavras quando na realidade o indivíduo é individual. Falhas ao que seria? de fato a preocupação do EU.

Partimos sem rancor e com coragem de chegar ao destino no qual tod@s são o mesmo.

Voltem pois a estrela que brilha aqui, brilha lá. Falsidades superadas.

Ao fundo vejo caminhos, sendas, trilhas, rios, marés.

E aqui JAZ uma bicicleta!!!




Miguelito maonaroda

500 anos de Descobrimentos século XXI 500 Km

Novos descobrimentos
Novas compreenssões

A Caravela caminha sobre rodas
Ao ancorar, rostos de dúvidas, estranhamentos
O circo chegou!!!
Trazendo alegria, arte, amor...

Casa, pousada, posto, barraca
Planice costeira. Brasil sem fim
Contemplação do desconhecido
Aprendizando Patacho Afro-Tupi

Fique aqui!

É preciso chegar e partir
Escola-Livre se educando
O Brasil não é um é tantos.


Pedro Selim

Comuruxatibaaaaa

Kitoca, fala a língua do índio, mais uma pessoa em que sua moradia foi também Escola-Livre e todos ali se abrigaram, comeram, brincaram e descobriram qual o próximo caminho a seguir, a bicicleta que foi agora volta e outra sai!?! Se é assim que tem que ser será.
Mulher forte, mãe, amiga, companheira e ainda cozinheira de mão cheia.
Lugar onde a paisagem forma seu nome, onde o índio tem estatuto e seus direitos de cidadão negado, falésias formações de uma era que ficou para trás, agora uma nova vida ela nôs traz. Vai e volta, de tudo fica um pouco. 

Miguelito Maonaroda

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Entre parentes (...)

Primos, Tios, Filhos, Mães, Sobrinhos, Irmãos...
Dentre as andanças todos no calor de uma aventura. Problemas, mangabas, cambucas e roça de coco. Onde ir para onde olhar, solos emancipados, ocupados seres.
Trajeto o Caos do ir, pra onde?.
Velhos, novos, menos, mais, igual, dividir, multiplicar.
Na translação do universo. Versos, prosas, histórias, contos, espírito, corpo e alma. Aplicados ao mundo em que vivo. Aonde Marias, Lasmar, Florência, Amadeus, Todi, Gil, Jair e Rafaela...Todos vamos lá a avenida é de areia pra ter onde sambar. Ao que nos encontramos aqui Caravelas, Itamar, Buenos Horizontes Belos Aires. A roda é que guia fortes, fracos, comprimidos que seja Bahia onde ia agora volta. Virginia Rodrigues agora ouço, almoço, mais tarde Acarajé, Dandara, Zumbi e que Zumbi.


Miguelito Maonaroda

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

O Empresário e o Professor Maluco

Momento de indecisão em Santa Cruz. Por onde pedalar as rodas e revoluções ?
De um lado o empresário patrão bem sucedido defendendo as Rodovias e o transporte unidimensional, do outro lado o professor maluco a favor das praias, barcos e falésias.
A dúvida logo foi resolvida também somos professores e malucos.
Bem vindo a Regência, Itaúnas e Caravelas. Velas!!!!!

PEDRO SELIM

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Relato escrito pelo trajeto



Espírito Santo de Vitória
É o local da largada
Começam os estudos da pedalada
O tema dessa história
Entra em pauta de discussão
É consenso que seja a educação
Trabalho e pedagogia da rua
Praia do Rio Preto no Fundão
Tem fogueira e cachaça no feijão
Na sequência rumo a Regência
Tem areia na estrada de chão
Chegada tensa na escuridão
Quintal de Dilson é oferecido
E carona até Bebedouro
Família caminhoneira fica ao nosso lado
Alemão garante a hospedagem de ouro
Alex, Jair e Eliene em Conceição da Barra
Na pousada falida e animada
Nessa viagem a Escola Livre tá encaminhada
Amanhã terá quarto de empregada
Em Itaúnas tá garantida a virada
Espaço de cultura de Todinho
A semente dançante germinará no caminho
Até Riacho Doce pedal é nas areias 
Até Costa Dourada legal é pelas falésias 
Tia fina oferece o belo almoço
Bike na praia, no escuro e na chuva
A turma não quis largar o osso
Depois tudo se encaixa como uma luva
O Rio Mucuri é atravessado de canoa
Chega-se à Bahia para não ficar à toa
Nova Viçosa tem casa do amigo Nilsun
Conforto próximo à praia do Lugar Comum
Tem balada, mas não é de Olodum
Trajeto de barco até a Ilha das Telhas
Companhia garantida por essas trilhas
De Mailson e sua égua Tem-nome-não
Um câmbio se quebra, mas não acabou o role não
Noite na casa do amor com lua e estrelas
Amanhece e se chega a Caravelas
Bora que tem máscara com oficina
Fora a entrevista com a rima da menina
Difícil conviver na catraca coletiva
Agora é asfalto e se chega a Alcobaça
Nem tanto é bom a merenda ser seletiva
Cansado em Prado, água de coco e massa
Mas no outro dia será de graça
Comuruxatiba também se chega pedalando
Atenção que logo descansa malandro
Mulher de luta é a Quitoca
Em Corumbau a chuva não foi pouca
Praia dominada pela Marinha
Chegar em Caraívas foi esforço grande
Maré subiu, empurre e ande
Menina índia pega a cigarrinha
Aqui se come caranguejo e não é siri
À noite, hospedagem e peixe do Ari
O goro é caro, pois é lugar de turista
O forró se conquista pela entrevista
Triângulo de Caraívas é a equipe de artista
Lívia Marcha-lenta não se contenta
Dança, balança, ensina, encanta e tenta
Vibe bacana, tu és gente fina
Chapada da Diamantina será sua sina
O pedal continua no escuro até Trancoso
Fabão Guidão fica ansioso e teimoso
No dia seguinte se vai sem despedida
Praça do Quadrado tá fácil a prensada
Elba Ramalho passa, não parece estar apressada
Das sobras da burguesa tá na mesa a lagosta
No trajeto Reginaldo aparece com ajuda
Chicas à vista hoje terá festa
Ritmo baiano em Arraial d’Ajuda
Piscinas agradam as meninas
Para casa agora se vão Selin e Pedivela
Convite de índio para ele e para ela
Olha o Sambaqui pela floresta
Valeu Jaquatiri, trampo de cacique na testa
Aniversário de Miguelito Mão-na-roda
Necessário agora é a sua volta
Cultura africana não condiz com a tal moda
Éramos seis, pedalará agora apenas Manete
Entusiasmos em Porto Seguro é só seguir em frente
À vista está a praia pelo asfalto
Veja a exploração na costa do Descobrimento
Índio lutou, mas hoje segue a catequização
Entretanto, se defende contra o desmatamento
Aqui não se vê eucalipto, a vegetação segue a sucessão
Recifes na praia de Santo André, distante da agitação
Na restinga, caju, cambucá, araçá e mangaba
Acampamento sem medo, em Mogiquiçaba
Pedalada logo cedo, rapidamente se conhece Belmonte
Foto na escultura do guiamum gigante
Travessia de lancha à Canavieiras és fascinante
Manguezal tão alto, para estes olhos é inédito
Pela Costa do Cacau continua o trajeto
Comunidade Quilombola pelo caminho
Noite em Comandatuba e tapioca feita com carinho
Ilha com Resort tá limitada à entrada
Ladeira até Una é subida e encarada
Ilhéus é cidade grande, falta incentivo ao turismo
Progresso do imperialismo
Leva agente ao abismo
Tem gente com perigo e sem morada
Riqueza cultural não a deixe camuflada
Memória de Gabriela cravo e canela
História de Jorge Amado e música bela
Juarana é nome de árvore e de comunidade
Porto Sul, não queremos sua instalação
Aqui tem arte baiana em atividade
Lagoa Encantada e Rio Amada devem estar em proteção
Na Serra Grande tem subida gigante
Cansaço superado pela visão do mirante
Força da cachoeira transforma água em poeira
Jaqueira é invasora, pode usar sua madeira
Em Itacaré se chega pela ciclovia
É daí que por aí já se ouvia
Que teria surf, reggae, forró e amizade
Ande por trilhas da Mata Atlântica até a Prainha
Nova história iniciada, ela aparenta estar sozinha
Artesanato, música, desenho, malabares de habilidade
Malucada reunida tem que ter atitude
Na Península do Maraú vá pela areia
Piscinas naturais nos corais e mergulho de sereia
Algodões, Saquaíra e Taipu de Fora
Belezoca de fauna e flora
Tá difícil ir embora
De barco a travessia é feita pelo Rio Maraú
Costa do Dendê começa em Camamu
Igrapiúna tem família de grande coração
Incrível gentileza com satisfação
Pancada Grande é o nome de mais uma cachoeira
Cuidado com a apropriação da fazenda de seringueira
Morro de São Paulo a paisagem é mais que boa
Tudo é muito caro, melhor ficar em Gamboa
Tem gente chique e gente simples de capoeira
Em Nazaré da Farinha fica registrada
As palavras da nega Nil fazem a diferença
Jovem de coragem não deixa morrer a esperança
Fortalece a viagem que continua pela estrada
Muita cautela, pois há obras pelo trecho
Chega-se em Jeribatuba, onde a praia tem lixo
Pode ser um sinal
Das conseqüências do capital
Aqui já faz parte da Ilha de Itaparica
A luta pela independência da Bahia
Ficou como sua característica
Inglês em nossa língua virou mania
Ferry boat ao invés de embarcação
Assim como na televisão é enganação
Pessoas dão conselhos em Salvador
Têm pobreza, violência e dor
Enquanto crescemos para ser trabalhador
Nesse verão o patrão tenta ficar moreno
Beleza cultural no mercado modelo
Local de forte energia que contagia
Cada tijolo do Pelourinho arrepia
Foram construídos com a escravidão
Que os poderosos querem apagar na escuridão
Audaciosos, mentirosos, duvidosos e perigosos
Quem são os verdadeiros criminosos?
Protestos e greve da polícia
Nem ela sabe que não defende a maioria
Veja só que hipocrisia
Vamos denunciar com a ortografia
Com o conhecimento em mente
Junto ao entendimento o pedal vai em frente
Em Arembepe fica a comunidade hippie
Pelo mar a tartaruga vive
Projeto Tamar junto convive
Na tranqüilidade tem gente de toda idade
Na lenha se faz moqueca e pirão
Olha só que astral essa vibração
Reencontro com os mesmos malucos
Agora os minutos estão curtos
Em Salvador vale à pena voltar
São poucos dias para gastar
Do Pelourinho é impossível não gostar
Ed Pereira e o incrível centro cultural
Arte de primeira para divulgar no mural
Pedalar não é miragem, não acham ser normal
Essa viagem de coragem já se chega ao final.

(Mayara Manete)
Vitória - ES à Arembepe - BA - verão 2011/2012



sábado, 18 de fevereiro de 2012

Partindo de Nova Viçosa atravessando o Rio Peruípe até a Ilha da Cassumba

6.01.12
Nova Viçosa à Ilha da Cassumba
Distância: 16,93 Km
Tempo: 1h e 36min
Média: 10,5 Km/h
Máxima: 30,8 Km/h

De barco com Lasmar palmeirense até a Ilha Cassumba, manguezal pela paisagem. Difícil trilha pedalada na ilha, acompanhamento de Mailson e sua égua Tem-nome-não. Câmbio de Lívia se quebra. Hospedagem na Casa do Amor de arquitetura peculiar.

Saindo de Nova Viçosa que foi nossa sétima parada onde
ficamos na casa cedida pelo Nilson, o Alemão.


Cruzando o canal do Rio Peruípe.



O Útero da Terra ou Erótico Mangue
(Pedro Selin, Fábio Guidón e Miguelito Mãonaroda)

Pra se ter o Mangue
Tem que ter umidade
Muito calor...
E também salubridade... Olha a maré!

Se a latitude
É 30°
Pro norte ou pro sul
Pode crê é manguezal

Se o mangue é
Um lodaçal
Falou a verdade
Esse cheiro é normal

E o Ribeirinho
Que pesca pescado
Se não tiver mangue
Vai comer em prato raso

O solo do mangue
É pouco oxigenado
Muita matéria orgânica
Caranguejo faz buraco... Sente a brisa!

Pra se ter restinga
Tem que ter praia a vista
Solo arenoso
E também mata arbustiva

E a caxeta
Que faz artesanato
Protege a restinga
Dos ventos tropicales

E na restinga
Tem gramínea
Tem carcará
Tem João e tem Maria

Nessas paisagens
Tudo me confunde
Onde que é mangue? Onde é restinga?
Eles se fundem... Olha a maré!

O canal do Rio Peruípe para o mar aberto.



Com a maré alta o mergulho foi no rio que ficou salgado.


Assim caminha a educação no maior país da América Latina.





Jantar Romântico a luz de velas. Poucas luzes que ressaltam o luar da Ilha das Telhas que é tão desconhecida e não está nos mapas. Sensação boa é acordar na Casa do Amor com picadas por todo corpo e pintinhos em volta. O banho de balde também reavivou os animos incandescentes.
E o Senhor da Segunda Guerra Mundial



Essa foi a nossa oitava parada. A casa é o Taj Mahal de Caravelas-Bahia,
só que o amor acabou e o ninho ficou abandonado para a nossa sorte.


A casa do Amor é composta de pisos irregulares onde é possível se deliciar num eterno sobe e desce. Flores de cristais nas ventanas e passagens secretas que podem dar em banhos aquáticos, terráqueos ou lunares. Tomo um banho de lua e fico preto no nordeste. Almofadas que pesam uma tonelada e se pode flutuar. Corrimãos fálicos e vistas para o paraíso. Quem entortou os coqueiros? Talvez tenham sido os astronautas ou talvez um gigante que se recostou em uma rede pra descansar enquanto fazia sua viagem até plutão adivinha do quê? Isso mesmo, de bicicleta!




07.01.12
Ilha Cassumba (das Telhas) à Caravelas

Travessia de barco da ilha até Caravela. Almoço na casa do artesão Itamar dia de aprendizagem. Oficina de máscara no centro cultural Arte Manha para as crianças, realizada pelo santista Caio e pela suíça Silvana no projeto de veleiro. Conflitos e desentendimento entre o grupo. À noite acarajé e lual na fogueira.